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TRAGÉDIAS JÁ ANUNCIADAS… E ESPERADAS

 

 

 

 

“Chuvas deixam 8 mil pessoas desalojadas no sul da Bahia” Fonte: Estadão

 

Antes eram eventualmente. Atualmente, é uma constante. Qualquer precipitação pluviométrica, um pouco acima da média, transforma-se num transtorno para as cidades com todas as tragédias que assistimos nas mídias e confirmada pelo órgão estadual de Defesa Civil.

Fatos dessa natureza estão se tornando cada vez mais constantes e os gestores não buscam entender o problema para equacionar e resolver, dentro de procedimentos técnicos, esses tipos de problemas que atingem normalmente a população de baixa renda, em áreas totalmente inadequadas para implantar habitações, por estarem em locais com declividade acentuadas e/ou sem cobertura vegetal natural ou por não terem segurança quanto a estabilidade do solo. Desastres que há muito tempo vêm sido quase que anunciados são, em grande parte, por conta da falta de uma assistência técnica pública e de Estado ou por soluções imediatistas, agilizadas e adotadas para atender essa população desassistida.

Se no passado víamos só nas grandes cidades as ruas se transformarem em rios com correntezas fortes e destrutivas, nos noticiários recentes estamos vendo em várias cidades menores, nas quais as tragédias não são tão menores assim. Não é questão de escala da cidade, mas sim falta de gestão e políticas públicas que, cada vez mais, se distanciam de projetos com planejamento técnico, social e humano, realizados com profissionais especialistas no tema e disciplinas diversas de conhecimentos, para prevenir esses fatos que são naturais mas que suas consequências são evitáveis, mediante busca sobre o entendimento de como funcionam e se comportam estes fenômenos da natureza, para que assim possam ser tomadas soluções técnicas e não soluções políticas eleitoreiras.

A grande maioria das cidades brasileiras têm sua ocupação de modo espontâneo, sem planejamento e sem planos diretores, que são obrigatórios para cidades acima de vinte mil habitantes, contando, ainda, com a omissão dos seus gestores que não buscam orientar e adequá-las a parâmetros elaborados e estudados para cada localidade específica, onde  simplesmente deixam esta população de baixa renda se instalem em locais inadequados em todos sentidos, dificultando o controle público necessário para dar qualidade de vida com dignidade, segurança e salubridade a estes cidadãos. 

As autoridades preferem investimentos maiores em equipamentos públicos com mais visibilidade que, se de um lado facilitam momentos e situações de todos, por outro não se preocupam com o dia a dia do viver de cada um dos seus cidadãos de modo individual. De que vale praças e equipamentos bem estruturados se o morar é sem a mínima condição de conforto e habitabilidade, além de vir acompanhado quase sempre da fome?

Historicamente os Arquitetos e Urbanistas da Bahia, através do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e de suas demais entidades, vem buscando um diálogo constante com os governantes com o intuito de viabilizar projetos urbanísticos sustentáveis, saudáveis e eficientes, onde as pessoas deixem de sobreviver e passem a viver de forma segura e digna. Infelizmente, as tentativas e as tratativas preliminares não vêm sendo atendidas e são, por vezes, até desprezadas.

Os desastres continuam acontecendo e vitimando todos. Alcançando inclusive não só os moradores da região atingida, mas também todos os moradores da cidade que vêem seus parentes, amigos ou vizinhos sofrerem com essas catástrofes. Todavia, estes gestores não se abalam, a não ser se lamentarem nas mídias, fornecerem migalhas imediatistas e sem alcance maior de transformação na comunidade da tragédia.

Enfim, agora é aguardar a próxima tragédia e rebobinar tudo como dantes, aguardando a seguinte e assim sucessivamente…ad aeternum.

Senhores GESTORES, precisamos ter as nossas cidades mais inclusivas, dignas e saudáveis

 

Fonte: CAU/BA

Publicado em 02/05/2023

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