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Salvador, 469 anos.

Salve Salvador!

Salvador, a Cidade que nasceu planejada por dentro dos seus cantos e recantos; com os muros situados na parte superior da escarpa da falha geológica entre a Praça Castro Alves e o Pelourinho, comemora seus 469 anos.

A Cidade de hoje cresceu por todo território do município, numa pequena península de 314 ha e quase 3 milhões de habitantes.  O mar cerca quase todo o polígono com 80 km de litoral, com a presença de praias, que revelam os recortes litorâneos e desnudam sua beleza natural. Ainda se reportando às belezas naturais reveladas pela coexistência perfeita das ambiências, encontramos, ainda, diversos rios, cachoeiras, lagos e lagoas (algumas artificiais, resultado do extrativismo mineral); uma associação de belezas e riquezas, que, inclusive se conectam as poucas áreas de reserva da mata atlântica, representam de forma esplendorosa a grandeza e a potencialidade da Cidade de Salvador.

Salvador, Cidade sede do Brasil Colônia, obteve, à época, investimentos maciços na construção do patrimônio, evidenciados até hoje nos diversos exemplares da arquitetura e também, no desenho urbano de seus sítios históricos, cujo patrimônio pertence a humanidade e se vincula ao bem cultural do seu povo.  Em que pese os problemas de conservação notórios, não podemos deixar de assinalar a existência deste grandioso acervo monumental e arquitetônico, que, certamente, deveriam oportunizar novas experiências e novas modelagens, típicas das cidades contemporâneas, desde que resultasse a compatibilização dos diversos fatores: mercado, necessidade, cultura, história da nossa gente e da nossa Cidade.  Não é o que verificamos, infelizmente!

A Salvador que se conectava com o mundo desde o século XVI, plural em sua cultura, perdeu influência no cenário nacional e internacional, perdeu a elegância, pela falta do planejamento na sua reestruturação urbana, em face do processo de modernização da sociedade; a diminuta conexão com os profissionais da Arquitetura e Urbanismo, titulares por formação, do aprendizado para o desenvolvimento planejado, pensado e acurado dos espaços, especialmente das Cidades, certamente impacta na consolidação da desestrutura e, consequentemente, na redução dos investimentos, mais ainda, quando percebe-se o afastamento de questões outras, vinculadas à exclusão social, que afetam a própria organicidade dos espaços urbanos.

A Salvador de hoje tornou-se uma cidade com boa parte do seu território composto de ZEIS (Zona de Especial Interesse Social), áreas reconhecidas pelo Plano Diretor, mas que juntamente com outras regiões do miolo da cidade, são espontaneamente ocupadas e demonstram de forma cristalina, as diversas ausências: infraestrutura, saneamento, moradia digna, com presença marcante de imensa área favelada, população bastante pobre, mas que não perde a sua capacidade de inovar, e assim, é reconhecida mundialmente pela sua criatividade, hospitalidade e vontade de viver, repletos de alegria e cores, além da esperança em dias melhores.

A cidade de todos nós, a Cidade de todos os Santos, que sempre acolheu tribos, etnias diversas, que conviviam harmonicamente e geraram a cultura genuinamente baiana, requer um uma nova reflexão, uma nova ordem de formulações ideológicas, que aniquile a intolerância social, política, racial, religiosa, para voltarmos a ser a referência cosmopolita das Américas.

Neste aniversário que coincide com uma importante comemoração dos católicos, conclamamos os Políticos, os Gestores, os profissionais e toda a sociedade soteropolitana a refletir sobre a nossa cidade, sua importância histórica e a necessidade de cuidar dos seus territórios e do nosso patrimônio histórico, arquitetônico e cultural.

Vamos viver e refazer Salvador!!!

Arquiteta e Urbanista Gilcinéa Barbosa da Conceição
Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia

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